O provérbio da minha vida / The saying of my life

“Devagar se vai ao longe” porque “quem espera sempre alcança”.

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A Margarida, o César e a Mémé.

A Margarida faz parte da família do coração. Os seus pais são os tios hiper porreiros, o César seu irmão é a revelação no seu silêncio, a Mémé é também a nossa avó emprestada e dona da mesa mais farta das redondezas. E a Cacau, a nossa “Serra da Estrela” completamente tresloucada.

Na casa da Margarida há tudo. Há boa disposição, um sofá com almofadas tricotadas, há a perfeição dos trabalhos manuais e a arte das madeiras, há linguiça, amendoins para as boas vindas, chocolate, manjericos no São João, kiwis  e diospiros para colher, há sardinhadas ao ar livre, o melhor bolo de bolacha, há sempre boleias para todo o lado e um poço de água fria. E há braços sempre abertos, alegria e o conforto que é a ternura e uma porta que nunca nunca se fecha.

Neste quadro, desenhado com a mais rara aguarela a Margarida só podia ser a gargalhada solta, um talento para as ciências da Biologia, a dedicação em pessoa quer no laboratório quer na cozinha. Quer dizer é mais ao laboratório. E é a prima-irmã que não tínhamos. Mas agora já temos.

E o provérbio da sua vida, são dois, “devagar se vai ao longe” porque “quem espera sempre alcança“. Nas suas palavras, há alturas na vida em que queremos que passem, que passem depressa mas sentimos ao mesmo tempo que passam devagar. Assim, “devagar se vai ao longe” é quase uma espécie de consolo, porque apesar de querermos que pulem e avancem, elas levam o seu tempo e só resta deixá-lo passar. Quando tudo se torna numa panela borbulhante de “estou a perder as estribeiras” porque “estou sempre a morrer na praia”, chega o efeito calmante “d’a esperança é a última a morrer”, uma espécie de alento, a fazer figas até ao último segundo para que tudo dê certo. Isto resume basicamente o meu último ano, e acima de tudo, com a explicação, surge na minha cabeça que a razão disto tudo é o tempo, o tempo contado, o tempo que devia esticar e encolher conforme queremos. Mas já devíamos todos saber que o “tempo tem tanto tempo quanto tempo o tempo tem”…

English

 “Slow and steady wins the race” because ”those who wait always achieve”. 

Margarida is part of the our family of the heart. Her parents are like the hyper cool uncles, his brother César is the revelation in his silence, Mémé is also our borrowed grandmother and the owner of the most complete table in the village. And Cacau is “our ” Serra da Estrela (dog’s breed) completely nuts.

At Margarida’s house there is everything. There is good humour, a sofa with knitted pillows, the perfection crafts and the art of wood, there is linguiça (kind of portuguese sausage), peanuts for the welcome, chocolat, basil vases for Saint John’s day, kiwis and persimmons to harvest, there is sardine parties on the outdoors, the best cookie cake, there is always rides to everywhere and a well of cold water. And there is always open arms, joy, the comfort of tenderness and a door that never ever closes.
In this framework, designed with the most rare watercolor, Margarida could only be a loose laugh, a talent for biology, dedication in person either in the lab or in the kitchen. I mean really more to the laboratory. And is the sister-cousin who we didn’t have. But now we do.

And the saying of her life are two “slow and steady wins the race” because ”those who wait always achieve”. In her words, there are times in life when we want it to pass, to pass quickly but we feel at the same time that it goes slowly. Therefore “slow and steady wins the race” is almost a kind of consolation, because despite wanting to jump and move, things take its time and just need to let it pass. When everything becomes a bubbling pot of “I’m losing my head ” because “I’m always dying on the beach”, comes the calming effect of “hope is the last to die”, a kind of encouragement to keep our fingers crossed until the last second for everything to go right. This basically sums up my last year, and above all, with the explanation arises in my mind that the reason for this is all the time, the counted time, the time that should stretch and shrink as we want. But we should all know that “time has such time as long as time has” …

4 thoughts on “O provérbio da minha vida / The saying of my life

  1. Eu nem sei dizer que parte gostei mais! Se a ‘revelação no seu silêncio’ do meu irmão, a ‘mesa mais farta das redondezas’ da minha avó ou a Cacao (pois, ela é nuts até no nome), que também adora brincar com… manjericos. Acho a descrição que fizeste fantástica, porque nós fazemos isso de coração e com toda a naturalidade, de tal forma que às vezes nem nos apercebemos que estas atitudes podem fazer a diferença e aconchegar o coração. Obrigada pelas qualidades que me atribuíste e é bom saber que tenho duas primas-irmãs como vocês.🙂
    Fica aqui registado que, quando regressares, vai haver festa com mesa farta, linguicinha no tacho, uns amendoins a marcar a conversa e um bolo de bolacha feito pela rainha dos bolos de bolacha.🙂

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